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Administradora de condomínio quer atuar em prédio desde o início da obra

Administradoras de condomínios querem participar da obra dos prédios desde o início - e não atuar apenas após a entrega do empreendimento, como acontece hoje. Segundo elas, isso ajudaria a evitar erros estruturais que encarecem a conta dos moradores.

Hubert Gebara, vice-presidente de administração imobiliária e condomínios do Secovi-SP (sindicato do setor), exemplifica o problema. "Venta muito em alguns bairros da zona sul de São Paulo, mas insistem em colocar a piscina na cobertura. O espaço fica ocioso", diz.

Gebara, que também é diretor de uma administradora, comanda uma campanha para que as empresas do setor atuem de forma direta nos projetos de prédios.

Atualmente, as principais funções das administradoras são cuidar da admissão de funcionários, cobrar devedores e auxiliar o síndico nas atividades cotidianas.

Gebara afirma que o objetivo da parceria é prestar consultoria, sem cobrança, durante o período de projeto e construção. Em contrapartida, as empresas ampliariam o número de potenciais clientes.

Para o síndico Paulo Cossa, a prática pode criar uma espécie de cartel das administradoras no mercado imobiliário, limitando a concorrência. "Quando você é construtor, quer colocar ao seu lado alguém que seja dócil."

As administradoras argumentam que detalhes aparentemente óbvios tornam-se erros frequentes devido à falta de acompanhamento da obra.

Segundo Rosely Schwartz, professora de administração de condomínios da Escola Paulista de Direito, as falhas ocorrem porque as construtoras, em geral, não se preocupam com o que vem depois da conclusão do prédio.

"Pensam em construir, entregar e acabou a responsabilidade. Com isso, muitos edifícios já nascem com problemas", diz Rosely, que cita como exemplo as vagas de garagens com tamanho inadequado e a falta de refeitórios para funcionários.

Márcio Bagnato, diretor de condomínio da administradora Habitacional, afirma que só 10% dos serviços da empresa começam antes da entrega.

"As administradoras só são consultadas no início do empreendimento quando a construtora percebe alguma falha."

Segundo a arquiteta especializada em condomínio Simone Schneider, é comum encontrar pisos externos inadequados, com falta de camada antiderrapante ao redor de piscinas. Ela menciona ainda a falta de banheiros em áreas comuns e a presença de rampas com inclinação fora das normas.

Simone não vê, no entanto, a necessidade de participação das administradoras para evitar esses erros - o arquiteto já teria essa função.

Em um condomínio na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, a guarita mal posicionada não permitia enxergar a entrada e a saída dos carros. Para corrigir o problema, o síndico Nilton Savieto teve de mudar o portão de lugar.

O prédio também não tem uma entrada exclusiva para prestadores de serviço. Para reforçar a segurança, Savieto investiu em mais câmeras de monitoramento. As melhorias custaram R$ 15 mil, repartidos entre os moradores. Ele diz que esses ajustes poderiam ter sido evitados com a participação de uma administradora no início do projeto.

No geral, as incorporadoras entendem que, quanto mais equipamentos e espaços para lazer, mais atraente o condomínio vai ficar, segundo Angélica Arbex, gerente de relacionamento da administradora Lello Condomínios.

"Mas não é bem assim. Em vez de espaço de meditação e ofurô, que têm baixo uso, vale mais a pena reservar o espaço para mais um salão de festas", diz Angélica.

Hoje, as construtoras investem em pessoas especializadas na estrutura do prédio, como arquitetos e engenheiros. Segundo Andrea Possi, diretora de incorporação da MAC Construtora, esses profissionais não estão entre os funcionários das administradoras.

"Além disso, não sei se a administradora vai estar de pé em três anos. Por isso, preferimos trazer os processos para dentro da MAC", diz Andrea.

Algumas administradoras se preocupam apenas com a parte contábil e nem sequer vão aos condomínios, afirma Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). Ela diz, entretanto, que a participação dessas empresas pode beneficiar os projetos dos prédios.

A desconfiança dos moradores é outro impeditivo à participação de administradoras na fase de projeto. Segundo Lilian, algumas construtoras têm a prática de ficarem como síndicas dos condomínios nos primeiros meses após a entrega para garantir a correta implantação do empreendimento, mas sofrem desconfiança porque não foram escolhidas em assembléia. O mesmo aconteceria com as administradoras, diz.

Fonte: Folha de São Paulo | Texto escrito por Renan Marra

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