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Com juro mais alto na linha pró-cotista da Caixa, imóvel sobe até R$ 68,2 mil

Quem está decidido a comprar um imóvel com recursos do Fundo de Garantia vai precisar desembolsar mais dinheiro para realizar o sonho da casa própria. Embora a Caixa tenha anunciado a retomada da linha pró-cotista para imóveis usados, suspensa em julho passado, os juros anunciados são maiores do que antes da interrupção. Na prática, quem quer comprar um apartamento de R$ 400 mil, por exemplo, e precisa de um empréstimo de R$ 250 mil, pagará R$ 68.298,80 a mais ao final de 360 meses, conforme levantamento da Associação dos Moradores e Mutuários de Minas Gerais (AMMMG).

 

A linha pró-cotista era a segunda mais barata, perdendo apenas para a do Minha Casa, Minha Vida. Antes de ser suspensa para a compra de imóveis usados, o juro mínimo, oferecido a quem tinha relacionamento com o banco, era de 7,85%. Agora, subiu para 8,76%.

 

A elevação de 0,91 ponto percentual parece pouca, mas o impacto no bolso dos consumidores é alto. Levando em consideração o mesmo exemplo, usado acima, a prestação mensal subiria 8,14%, passando de R$ 2.329,86 para R$ 2.519,44, uma diferença de R$ 189,58.

 

Como as parcelas são maiores, a renda mínima do mutuário também precisa ser maior para ser aprovada pelo banco, saltando de R$ 8 mil para R$ 8,6 mil no novo cenário.

 

Na avaliação do presidente da AMMMG, Sílvio Saldanha, com o aumento do juro a Caixa deixa de beneficiar os clientes do banco. "O juro baixo era baixo para quem tem cartão de crédito, coloca a fatura em débito automático e recebe o salário pelo banco, por exemplo. Agora, essa forma de conquistar quem não é cliente e de premiar quem já é praticamente acabará", diz o especialista no setor.

 

SBPE

 

Apesar do aumento do juro da pró-cotista, o índice que regula a linha do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), antes a terceira mais barata, caiu. Quem comprar um imóvel de R$ 400 mil dessa forma e financiar R$ 250 mil vai pagar juro de 8,75%, resultando em prestação de R$ 2.517,36. Antes, o índice era 9%.

 

Resposta

 

Por nota, a Caixa ressaltou que o aumento na taxa de juros foi realizado no governo Michel Temer, em 20 de dezembro.

 

"A modificação da taxa de juros da linha Pró-Cotista ocorreu em 20 de dezembro de 2018, em virtude da redefinição dos descontos concedidos aos clientes que possuem relacionamento com o banco. A taxa foi de 7,85% para 8,76%. Ressaltamos que não houve alteração da taxa máxima da linha, que continua em 9,01%", diz o texto. A taxa máxima é oferecida para quem não mantém relacionamento com o banco.

 

Elevação da taxa pode desacelerar crescimento imobiliário

 

aumento da taxa de juro da linha pró-cotista pode desacelerar o crescimento esperado para o mercado imobiliário, conforme análise da vice-presidente das Administradoras de Imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais, CMI/Secovi-MG, Flávia Vieira. "É uma notícia ruim para o setor, mas espero o que a previsão de melhora do cenário econômico para o próximo ano compense a alta de juros", diz.

 

Ela destaca que a previsão é a de que, mesmo com o aumento do juro, a linha de financiamento esgote ainda no primeiro semestre do ano. O motivo é simples. O orçamento para a linha pró-cotista vem caindo ao longo dos anos.

 

Para 2018, os recursos somavam R$ 5 bilhões. Para 2019, despencaram para R$ 4,5 bilhões, redução de 10% no montante. Por nota, a instituição ressaltou que "o valor destinado à Caixa ainda será definido pelo Conselho Curador do FGTS".

 

Sinduscon

 

Na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim, o fato de a Caixa ter aumentado o juro pode ser uma maneira de acabar com o que ele chama de "monopólio" do banco no sistema habitacional, dando abertura para que os bancos privados ganhem mercado. "É necessário estimular a concorrência", diz. Por oferecer taxas mais baratas, a Caixa responde por 70% do mercado habitacional.

 

Consórcio

 

No dia 1º deste mês entrou em vigor o novo limite do valor de imóvel para utilização do FGTS.Agora, a moradia pode custar até R$ 1,5 milhão, R$ 550 mil a mais do que no ano passado, o equivalente a 57,89% de alta.

 

Além de utilizar o dinheiro para dar de entrada no apartamento por meio da linha pró-cotista, mutuários podem usar o fundo de garantia para dar lances em consórcios imobiliários.

 

"O leque de opções dadas aos trabalhadores de como utilizar o FGTS no consórcio faz com que o sonho da casa própria se torne uma realidade cada vez mais próxima", destaca o vice-presidente de Operações e Parcerias da empresa Embracon, Luís Toscano.


Fonte: Jornal Hoje em Dia - Tatiana Moraes

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