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Imóvel mais em conta: Caixa atrela correção de financiamento à poupança, mas especialista vê riscos

A Caixa iniciou nesta semana uma nova modalidade de crédito para financiamento imobiliário. A novidade é que a taxa para correção monetária passa a ser atrelada à poupança - que representa 70% da taxa Selic hoje. Outra mudança é em relação ao teto de juros cobrado ao ano, de 3,99%. O anúncio da Caixa empolgou o mercado imobiliário, que vê na abertura da nova linha de crédito mais um fator para o aumento das vendas de imóveis novos em 2021.

Em contrapartida, especialistas alertam que os consumidores devem pesar, e muito, os prós e contras de onerar ainda mais o orçamento. Se a Selic ficar acima de 8,5%, juros e correção podem chegar a 10,16% ao ano.

Outra novidade da nova modalidade é que o prazo de financiamento pode ser de até 420 meses.

Até então, a Caixa oferecia uma linha de financiamento que tinha a TR como parâmetro de correção monetária. Além disso, atualmente a taxa de juros para os financiamentos chega a 8% ao ano. Com a mudança, os consumidores podem economizar até 40% no valor das prestações.

Uma simulação feita pela Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais (AMMMG)mostra, por exemplo, que na compra de um imóvel de R$ 150 mil, as prestações iniciais ficariam em R$ 915,42 - com prazo de 360 meses para pagamento e entrada de 10% do valor do imóvel. Pelas regras atuais, o valor sairia por R$ 1.416,66.

Para Leonardo Matos, diretor da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas de Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), a novidade servirá para impulsionar ainda mais as vendas de imóveis, que em Minas Gerais tiveram um crescimento de 50% no 2º semestre de 2020 em comparação ao semestre anterior. "É a menor taxa de juros da história e, com certeza, vai impulsionar ainda mais as vendas, principalmente de apartamentos", destaca.

Mas mesmo com as facilidades e os juros atrativos, o consumidor tem que analisar com cuidado antes de comprar um imóvel. Na opinião de Silvio Saldanha, presidente da AMMMG, fatores como o orçamento familiar, instabilidade no mercado de trabalho e até mesmo as perspectivas de aumentos da Selic têm que ser levados em consideração frente à "tentação" de aproveitar o momento para comprar um novo imóvel.

"Vivemos uma situação econômica totalmente instável, atípica e preocupante. Acredito que não seja momento de onerar o orçamento. Não é hora de gerar novos custos, no máximo, 'trocar moedas', ou seja, aquele consumidor que vai deixar de pagar aluguel para assumir um financiamento imobiliário, ou que quitou algum empréstimo, financiamento de veículo, pode usar estes valores para a compra", enfatiza.

Fonte: Hoje em Dia - 05/03/2021

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