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Morador questiona o volume de gás entregue por empresa

Capacidade do reservatório do condomínio, fornecido pela distribuidora, também levanta dúvidas

Desde 2013, uma dúvida vem atormentando o engenheiro Olímpio do Carmo Fernandes Júnior, 57, morador de um condomínio no bairro Serra, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Segundo ele, quando o tanque do prédio é abastecido com Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) a granel pela Liquigás, por meio de caminhões, o marcador de volume do veículo registra uma quantidade bem superior à registrada pelo equipamento de medição do reservatório do edifício. A empresa, no entanto, nega a irregularidade.

 

"Uma distorção pequena seria aceitável, porque o medidor do prédio é analógico, e o do caminhão, digital. Mas a diferença varia muito, de 15% a 80%", explica o engenheiro.

 

Outra polêmica, ainda de acordo com ele, diz respeito à capacidade do reservatório. "No tanque do prédio, que é fornecido pela empresa em regime de comodato, cabem 190 kg, mas, algumas vezes, no comprovante entregue pelo motorista do caminhão, consta que foi disponibilizado bem mais do que isso", diz o engenheiro. "Quando questionado, o fornecedor diz que a capacidade é maior, de 210 kg ou 250 kg", completa Fernandes Júnior.

 

"Procuramos a empresa, pedimos explicações, mas elas não nos convenceram, nos disseram que fizemos a conta errado. Resolvemos então procurar o Instituto de Metrologia e Qualidade do Estado de Minas Gerais (Ipem-MG), para pedir a fiscalização dos equipamentos, mas nada foi feito", conta ele.

 

Duração. O vice-presidente das administradoras de condomínios da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Leonardo Mota, admite a existência de divergências pontuais em relação ao volume, principalmente quando os medidores são de tecnologias diferentes. "Com certeza, há um conflito entre o analógico e o digital, que é mais preciso" explica ele.

 

Para evitar problemas, segundo Mota, o melhor a se fazer é conferir o tempo de duração do volume de gás adquirido. "O consumo segue um padrão médio. Qualquer desvio da curva é sinal de irregularidade, que pode inclusive ser um vazamento", explica o vice-presidente da CMI/Secovi-MG.

 

"O ideal é fazer uma leitura por telemetria, que dá uma visão diária do consumo de cada unidade", acrescenta Mota.

 

Fornecedor nega irregularidade

 Em nota, a Liquigás explicou o funcionamento do processo de abastecimento a granel de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). E garantiu que os veículos que realizam a entrega do produto "possuem um marcador eletrônico que é aferido e certificado somente por empresas acreditadas pelo Inmetro, garantindo a exatidão da cobrança ao cliente".

 

Em outro trecho da nota, explicou que o GLP resulta do refino do petróleo, sendo uma mistura de gases hidrocarbonetos, contendo, predominantemente, propano e butano. Caso o GLP que está sendo entregue ao cliente contenha mais butano do que propano, o produto será mais denso e mais pesado e, portanto, o P-190, que é o tanque usado pelo cliente em questão, poderá conter mais quilos do que os 190 kg indicados pela capacidade desse tanque. Como exemplo, se esse tanque fosse abastecido somente com butano no volume máximo de 85%, poderia conter aproximadamente 220 kg de gás. Assim sendo, o controle do abastecimento só pode ser assegurado pelo equipamento presente no caminhão".

 

Por fim, lembrou que, para o atendimento a clientes granel, a Central de Atendimento Liquigás (CAL) funciona 24 horas, sete dias por semana, pelo telefone 0800 729 7777.

 

Ipem orienta o consumidor

 O Ipem-MG informou que "não realiza a verificação metrológica de GLP comercializado a granel". Porém, explicou que "o consumidor pode solicitar à empresa fornecedora de gás o certificado de calibração do medidor de volume, fornecido por uma empresa acreditada pelo Inmetro". As empresas acreditadas, segundo o Ipem-MG, podem ser consultadas no site da Rede Brasileira de Calibração (RBC).


Fonte: Jornal O TEMPO - Texto por: Eurico Martins

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