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Vendas de material de construção cresceram 25% no primeiro semestre

A tendência de hibridização das formas de trabalho e estudo, representadas por práticas como o home office e o estudo remoto, desde 2020, vem contribuindo para o crescimento do setor varejista de material de construção. 


Diretor do Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Material de Construção, Tintas, Ferragens e Maquinismos de Belo Horizonte e Região (Sindmaco), Wagner Mattos, acredita que as vendas desse segmento já tenham crescido pelo menos 25% no primeiro semestre. 


Mas, historicamente, ainda conforme o diretor do Sindmaco, as vendas de material de construção tendem a crescer no segundo semestre. "Se os preços permanecerem estáveis ou reduzirem um pouco, acredito que vamos crescer entre 30% a 35%", afirmou. 


Além da necessidade de adequar as residências aos novos formatos de trabalho e estudo, de acordo com Mattos, por ser um setor essencial, o varejo de material de construção não foi tão prejudicado como outros segmentos durante a pandemia.


"Cerca de 60% do auxílio emergencial, quando os valores variaram entre R$ 600 e R$ 1.200, foram utilizados na compra de material de construção. Já em 2020, a venda de produtos como o cimento cresceu muito", informou. 


Importância 

O crescimento do varejo de materiais de construção, ainda conforme Mattos, pode ter evitado que a crise econômica vivenciada pelo Brasil hoje estivesse ainda pior, se as vendas desse segmento não começassem a crescer já em 2020. 


"Cada R$ 1 investido na construção civil tem potencial para movimentar 14 vezes a economia. Ou seja, ao se fazer uma casa, além de comprar material, é preciso contratar engenheiro, arquiteto, contratar pedreiros, mestres de obra, pedreiros, pintores, eletricistas, etc", explicou. 


Alta de preços 

A necessidade de se fazer reformas e adequações nas residências não foi uma exclusividade do Brasil. Ainda conforme Mattos, como consumidores de todo o mundo foram afetados pela pandemia, a procura por matéria prima também cresceu 


"Com o aumento das vendas, em alguns momentos, tivemos falta de alguns insumos. Com o aumento da procura e a alta do dólar, os preços de metais, de dispositivos elétricos e pisos, muitas vezes importados, aumentaram muito", afirmou. 


Além disso, itens como o ferro, o alumínio e o PVC, classificados como commodities também estiveram em alta. "Alguns foram reajustados em até 35% em um momento em que a inflação está variando entre 5% e 7%. Então, tivemos que repassar os preços aos materiais de construção. Mas, mesmo assim, já retomamos as vendas pré-pandemia". 


Golpes 

Com cerca de 5.000 lojistas em toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Sindmaco, conforme Mattos, está alertando os associados a ficarem atentos contra o crescimento de golpes contra este tipo de varejo. 


Mesmo sem informações sobre o quanto os golpes aumentaram, conforme Mattos, o número de reclamações no sindicato sobre compras em que são utilizados cartões clonados ou que tentam pagar a compra pelo telefone, por exemplo, fazendo questão de pagar a mercadoria na loja tem acendido o sinal de alerta. 


"Os lojistas já estão atentos a essas questões. Mas como um número maior de reclamações está chegando ao sindicato, estamos pedindo para que tomem mais cuidado", afirmou 


Segmento criou 5 mil empregos no Estado 

Economista-chefe da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio), Guilherme Almeida afirmou que, só nos primeiros seis meses de 2021, o comércio varejista de material de construção já havia contratado 5.010 novos funcionários. 


Estes dados, segundo Almeida, foram registrados por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Este tipo de informação, conforme Almeida, ratifica a tendência de crescimento desse setor no segundo semestre, quando muitas pessoas, ao receberem o 13º, ou com a proximidade das festas de final de ano, procuram fazer algumas reformas em suas residências. 


"A pandemia ainda traz insegurança, mas com a flexibilização das atividades produtivas, do retorno às aulas, a reabertura de eventos, o aumento do número de pessoas vacinadas, existe a tendência de crescimento da economia", afirmou. 


Juros

Para o economista, um dos únicos indicadores que podem desacelerar o ritmo de de vendas de material de construção é o aumento dos juros. Ele explicou que a recente tendência à progressão da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, conhecida como taxa Selic, pode diminuir um pouco o aquecimento deste tipo de varejo. 


Como a Selic influencia as demais taxas de juros no País, os juros de financiamento de crédito podem aumentar, reduzindo um pouco os investimentos na compra desse tipo de material. "Até maio deste ano a taxa Selic estava em 2,75%, mas está apresentando tendência de alta, o que pode reduzir a procura por financiamento", afirmou. 


Texto escrito por: Magali Simone | 02/08/2021 - Diário do Comércio | Foto: Alessandro Carvalho

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