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Presidente da Caixa recua da alta de juros, mas setor reage

O novo presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Pedro Guimarães, negou ontem que o banco vá aumentar os juros do crédito imobiliário para a classe média. Na segunda-feira, na cerimônia de sua posse, em Brasília, ele afirmou que "quem é classe média tem de pagar mais". "Ou vai buscar no Santander, Bradesco, Itaú. Na Caixa, vai pagar um juro maior que o do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), certamente, porque vai ser um juro de mercado". Ele acusou a imprensa de distorcer sua fala: "Matematicamente, o MCMV para pobre é menor. Foi o que falei". A retratação veio rápido, mas não o bastante para evitar preocupação. O mercado imobiliário teme os impactos, e quem quer comprar a casa própria já começa a rever planos.


Procurada, a Caixa não divulgou detalhamento de imóveis financiados por faixa de renda em Minas Gerais. Mas, segundo fontes de mercado ouvidas pela reportagem, a classe média é a que mais demanda esse tipo de empréstimo. Logo, uma política de preços mais altos para essa classe representaria impacto significativo no mercado imobiliário.


"Se houver aumento mesmo, as vendas vão simplesmente parar. Só entre meus clientes, posso afirmar com toda a certeza que 80% se encaixam nesse perfil de classe média, que pode pagar uma prestação, mas não tem esse dinheiro guardado e, por isso, recorre ao financiamento", afirma a sócia-proprietária da imobiliária NovaCasa, em Belo Horizonte, Bruna Estefânia Leandro.


Entre os que estão aguardando o recurso para realizar o sonho da casa própria, a aflição é ainda maior. "Eu já me programei acreditando que pagaria determinado valor. Se tiver aumento nos juros, eu talvez tenha que procurar outro imóvel ou até deixar para depois", afirma o mecânico industrial Denis Rodrigues da Fonseca. Ele já escolheu um imóvel, teve o financiamento aprovado pela Caixa em agosto passado, mas ainda aguarda a assinatura do contrato e a liberação do recurso para pegar as chaves.


Agora, ele torce para que o contrato seja fechado antes da possível alta dos juros, para manter os planos. Até lá, ele, a mulher e as duas filhas vão continuar morando de favor na casa da mãe dele.

Situação parecida é vivida pela belo-horizontina Júlia Lopes de Souza, 21. Ela e o marido também querem comprar um apartamento e aguardam a finalização do contrato na Caixa. "Se tiver alteração no valor, posso esquecer nossa casa nova", lamenta.


Para o presidente da Associação de Mutuários e Moradores de Minas Gerais, Silvio Saldanha, aumentar juros seria "um equívoco". "A origem do recurso imobiliário é o dinheiro da poupança e do Fundo de Garantia. A lei do sistema habitacional determina que parte do montante tem que ser revertida em moradia. Ou seja, é um dinheiro do povo que é emprestado, e o banco já lucra com isso. A Caixa não pode querer lucrar mais com um dinheiro que não é dela", afirma.


Bancos privados querem espaço


A possível alta de juros do crédito imobiliário para a classe média na Caixa Econômica Federal (CEF) é acompanhada com atenção pelos bancos privados, que querem ganhar mais espaço no mercado caso isso ocorra. No discurso de segunda-feira, o próprio presidente da Caixa, Pedro Guimarães, disse que a classe média vai pagar mais ou "vai buscar no Santander, Bradesco, Itaú".


Em nota, o Bradesco disse que já tem taxas competitivas (a partir de 8,85% ao ano, mais Taxa Referencial, a TR) e que "está atento às oportunidades de mercado". Também de olho nas brechas do setor, o Santander afirmou que "foi pioneiro no movimento de redução dos juros para a aquisição de imóvel residencial a um dígito percentual, em julho de 2017". As taxas variam de 8,99% a 9,49%, mais TR.

O Itaú, que tem taxas a partir de 8,3% mais TR, disse em nota que está "atuando de forma estratégica com soluções alinhadas às mudanças de comportamento e às necessidades dos clientes".

Fonte: O Tempo - Tatiana Lagôa
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