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Condomínios estão em estado de alerta

Morar em um condomínio de casas nas proximidades de Nova Lima - uma das áreas mais valorizadas da Região Metropolitana de Belo Horizonte - é o sonho de muitas famílias que buscam qualidade de vida. Mas esse sonho também foi abalado pela tragédia provocada pelo rompimento da barragem de rejeitos da Vale, em Brumadinho, que causou ao menos 134 mortes e deixou 199 desaparecidos, conforme balanço divulgado ontem pelo Corpo de Bombeiros. A região, além de ser conhecida pela beleza natural, é marcada por intensa atividade minerária e presença de barragens, sendo que muitos dos condomínios ficam próximos dessas estruturas. Moradores relatam que convivem com medo de rompimentos e, além disso, há o receio de desvalorização dos imóveis.

 

Vice-presidente da área das loteadoras da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado (CMI-Secovi), Adriano Manetta, avalia que o impacto sobre o mercado imobiliário da região pode vir mais da desaceleração econômica a ser gerada com a redução das atividades da Vale que do medo ou do risco de novos rompimentos.

 

Ele acredita que pode cair a demanda por imóveis, mas considera ser difícil haver redução dos preços. Os valores, segundo ele, já estão baixos devido aos anos seguidos de recessão. "O que pode acontecer é colocar à venda e, mesmo com o preço baixo, não conseguir vender", diz.

 

Manetta também considera que a maioria das casas de condomínios está fora de região de risco. Um dos condomínios citados por ele é o Pasárgada, perto da Barragem Capão da Serra. Moradores afirmam que a maior parte das casas está acima do nível da barragem, ou seja, não seria atingida em caso de rompimento. O síndico do Pasárgada, Manuel Ambrósio, foi procurado pela reportagem, mas não retornou até o fechamento desta edição.

 

Preocupação constante - Em grupos de WhatsApp de moradores de condomínios, o assunto de desvalorização dos imóveis é frequente, segundo informou ontem o presidente da Associação dos Amigos do Vila da Serra e Vale do Sereno (Amavise), o engenheiro civil Sérgio Americano Mendes. De acordo com ele, moradores falam em desvalorização de até 50%.

 

De acordo com Sérgio Mendes, o preço médio do metro quadrado de casas em condomínio é de R$ 10 mil. A Amavise representa cerca de 80 condomínios e, segundo Mendes, a grande maioria não está em área que seria atingida em caso de rompimento de barragens.

 

O Condomínio Vale dos Pinhais, com cerca de 70 casas, está próximo da barragem Maravilha II, também da Vale. A síndica do condomínio, Maria do Carmo Ferreira, explica que a estrutura é mais segura do que a de Brumadinho, mas, ainda assim, há temor por parte dos moradores. O condomínio mantém contato constante com a mineradora.

 

Ela informou que o condomínio deve contratar escritório de advocacia para que advogados negociem com a Vale de forma que não haja prejuízo aos moradores. Maria do Carmo explica que, em caso de rompimento da barragem, o dano maior para o Vale dos Pinhais seria o ambiental, pois a lama não atingiria a grande maioria das casas. De qualquer forma, haveria desvalorização da área.

 

E, segundo Maria do Carmo, os moradores não aceitam indenização. Em último caso, os residentes vão querer ser realocados. Isso porque uma possível indenização não seria suficiente para aquisição de bem equivalente ao que se tem hoje.

 

Para exemplificar, ela cita que um terreno de 2,3 mil metros quadrados no condomínio pode ser comprado por cerca de R$ 200 mil. "Com esse valor, não conseguirei comprar nada equivalente ao que temos aqui", diz ela. Ela pondera ainda que os moradores têm ligação afetiva com suas casas e com a região. "Se eu precisar sair daqui, vão ter que levar até o meu pé de laranja. E tem morador que diz que quer ser enterrado aqui", afirma. Maria do Carmo acredita que a discussão deve ser feita com cuidado, sem "caça às bruxas", mas também sem prejuízos aos moradores.


Fonte: Diário do Comércio

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