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Depende de nós!

"Ainda não temos como medir os impactos gerados pela greve dos caminhoneiros em número de vendas não realizadas, de locações adiadas ou de possíveis atrasos em entregas de obras"

O Brasil parou em local proibido... A multa foi alta. E somos nós, os cidadãos, que vamos pagar a conta. O que espero é que, ao menos, tiremos grande aprendizado de tudo isso. O mercado imobiliário mineiro foi impactado e já corre para superar o prejuízo. Vamos levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Porque é assim que vamos recolocar o país nos trilhos: trabalhando e alavancando nossa economia.

 

Vivenciamos um cenário "à la Venezuela". Um verdadeiro pesadelo, que, apesar de todo o otimismo que procuro sempre construir, tive dificuldades de assistir sem ficar assustada com a realidade de um futuro perigoso. Com a escassez de combustível, nos vimos forçados a adiar muitos de nossos compromissos para despender precioso tempo enfrentando filas quilométricas nos postos de gasolina em busca de alguns litros de gasolina e álcool. Foi algo surreal e que nos fez ver quão dependentes estamos de nossas rodovias, de nossos parcos transportes coletivos e de um governo que não tem apoio popular.

 

Foi triste ver a dificuldade daqueles que dependiam de deslocamentos e medicamentos para manter a vida. Dos profissionais que dependem de sua produtividade para ter mantimentos à mesa, diferentemente do funcionalismo público, que, com o "ponto facultativo", tem seu salário e benefícios garantidos pelos impostos que nós pagamos. De cada empresário, que teve que reinventar condições para manter suas empresas com as portas abertas e com o menor comprometimento possível ao atendimento a seus clientes.

 

As primeiras reivindicações dos grevistas eram legítimas. O movimento foi um grito de alerta, de socorro, e uma amostra de quão forte é uma nação quando unida num propósito. O problema foi o "time"... o prolongamento... as incursões de oportunistas que tumultuaram e, de forma inconsequente, não observaram os desdobramentos... A greve deixou de ser optativa e passou a ser impositiva. E a liberdade de ir e vir, direito básico em qualquer regime democrático, deixou de existir e deu lugar à ditadura do medo.

 

Estamos voltando aos poucos à normalidade do abastecimento dos combustíveis e dos bens de consumo, da rotina das escolas, das agendas de trabalho. É vida que segue e se ajusta depois da dura experiência por que passamos.

 

Para o mercado imobiliário, especificamente, acredito que levaremos algum tempo para nos recuperar. Além dos dias em que não foi possível ter mão de obra e material nas construções, atrasando assim os empreendimentos, corretores sem condições de apresentar os imóveis a seus clientes, condomínios com problemas de abastecimento de gás e sem pessoal de manutenção e segurança, situações, entre outras, que acabamos por administrar, temos um problema maior: a insegurança gerada no nosso investidor.

 

Trabalhamos com segurança e previsibilidade. Atuamos com patrimônios que as pessoas levam uma vida para construir. Restabelecer essa credibilidade no ativo imóvel vai depender não só de nós, "imobiliaristas", mas também de um trabalho de conscientização da população, que precisa acreditar que é possível recuperar nosso Brasil. Sim, o país é nosso! E depende de cada um nós voltar a impulsionar a economia, ficar em alerta para não nos deixarmos ser manipulados por informações distorcidas e ter atenção para identificar as fake news, que só servem para nos desestabilizar.

 

Ainda não temos como medir os impactos gerados pela greve dos caminhoneiros em número de vendas não realizadas, de locações adiadas ou de possíveis atrasos em entregas de obras. O que sabemos é que, já que não é possível voltar atrás e reescrever um novo começo, que façamos um final feliz com um Brasil que nos permita sonhar, trabalhar e realizar. Mais que nunca, sabemos da nossa capacidade de união e mobilização. Que ela seja usada para o bem do futuro "deste Brasil que canta e é feliz, (...), que não tem medo de fumaça e não se entrega não..." (Ary Barroso).

 

Temos Copa do Mundo pela frente. Excelente exercício para o patriotismo, quando gritamos, alto e bom som, o nome do nosso país, e cantamos o hino nacional em posição de respeito. Que o ensaio nos jogos seja para uma bela apresentação nas eleições de outubro. Esperamos ver o mesmo senso de amor à pátria ao escolher os representantes para o Palácio do Planalto, Congresso Nacional, governo dos estados e assembleias legislativas. Depende de nós a história que queremos escrever daqui pra frente. É preciso ter em mente que o Brasil precisa de um projeto de governo e não de um salvador da pátria. Depende de nós assumir a responsabilidade de sermos os verdadeiros autores da história do Brasil que queremos viver e deixar para nossos filhos.


Fonte: Estado de Minas - Cássia Ximenes

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