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Mina$ em foco - Quem assume o ponto?


Lojas, condomínios comerciais e estacionamentos sentem o baque, diante de consumidores sem dinheiro para as mínimas extravagâncias, mesmo que seja o lanche da manhã ou da tarde


Quarteirões e esquinas cruciais no mapa do consumo da região Centro-Sul de Belo Horizonte escancaram a difícil reação da economia. Endereço histórico da cidade, na Praça Sete, a alguns passos do pirulito, a faixa afixada no número 462 oferece para aluguel a loja de 140 metros de frente para um corredor de tráfego intenso de dia ou à noite. Pouco adiante, outra oferta de aluguel surge na Rua Tupinambás, bem próximo da Avenida Afonso Pena, concorrendo com mais anúncios nas ruas Rio de Janeiro e Caetés e na Avenida Paraná.

 

No burburinho do público que cruza a área central de BH, os apelos em portas fechadas parecem não chamar a atenção, para desgosto do investidor e dos comerciantes, que, até o fim do ano, assistiam com grau de otimismo à sucessão de sinais de recuperação do país. A boa-nova durou pouco, com o retorno da má fase nos últimos três meses. Lojas, condomínios comerciais e estacionamentos sentem o baque, diante de consumidores sem dinheiro para as mínimas extravagâncias, mesmo que seja o lanche da manhã ou da tarde.

 

Se as locações comerciais melhoraram, isso ocorreu "dentro de um péssimo cenário", tomado como referência geral da atividade do setor, na avaliação de Flávia Vieira, vice-presidente das Administradoras de Imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI)/Secovi. "Temos visto melhora em negócios de algumas regiões como Savassi, Lourdes e na Avenida Bandeirantes (zona sul de BH). São pequenos comerciantes que estão voltando para o mercado de academias, restaurantes, cafeterias, sorveterias e saladerias", afirma.

 

Alguns indicadores da economia têm sido particularmente desestimuladores para o investidor em imóveis nos últimos meses. Foi o caso da inflação, que era negativa até fevereiro e no acumulado dos últimos 12 meses até junho retomou fôlego, com variação positiva de 4,27%, medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), referência para a correção dos contratos de aluguel.

 

Outras duas más notícias de um país que custa a deslanchar são a valorização do dólar frente ao real e o desânimo provocado nos investidores pelos impactos da greve dos caminhoneiros. Esse caldeirão de ingredientes indesejáveis alimenta pressão suficiente sobre os preços, se, de um lado desinteressantes para quem investe em imóveis, de outro, ainda altos do ponto de vista de quem tem disposição de arriscar no negócio ou na expansão da atividade.

 

Com larga experiência da militância no comércio do Centro de BH, Renato Caldeira, dono do tradicional Café Nice, que dirige há 44 anos, diz perceber o agravamento da crise nas áreas mais valorizadas do mercado de consumo da capital. Além de portas de aço fechadas, a existência de imóveis vagos é realidade dura em prédios comerciais, e se reflete no vazio dos estacionamentos.

 

"Não me imagino nem mesmo do outro lado da avenida (Avenida Afonso Pena, onde está instalado o Café Nice)", confessa. A famosa lanchonete e cafeteria virou exemplo, instalada no mesmo endereço há nada menos de 79 anos. Para Renato Caldeira, uma certa paralisia domina os negócios, à espera das eleições. Flávia Vieira, da CMI/Secovi, concorda que o cenário político gera incerteza, mas afirma não ter perdido o otimismo e nem a perspectiva de que em meio à crise investidores têm aproveitado oportunidades ante os preços pressionados."Com os juros baixos, os investidores continuam a buscar oportunidades. Se a fogueira esquentar, o mercado tem condição de reagir rápido."

 

Marco das flores

 

Área de 5 mil metros quadrados no Bairro Cachoeirinha, na Região Nordeste da capital mineira, passou a abrigar o Mercado de Flores e Plantas de BH, que funcionou por 20 anos na Central de Abastecimento Municipal, popularmente conhecida como Feira do Bairro São Paulo, na Zona Norte da cidade. Responsável pelo mercado, a Associação de Distribuidores e Produtores de Flores pretende transformar o local, agora próprio, em referência da floricultura de Minas Gerais, segundo maior produtor de flores do Brasil.

 

Imóveis residenciais

 

Em abril, foram comercializados 280 apartamentos novos em BH e Nova Lima, na Grande BH, volume 237,35% maior na comparação com março, segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário realizada pela Bureau de Inteligência Corporativa (Brain) e divulgada pelo Sinduscon-MG. Ainda assim, a recuperação do mercado de imóveis residenciais também ocorre a passos lentos. Na comparação de janeiro a abril com o mesmo período do ano passado, houve queda de 17,92% na comercialização de unidades. Foram 829 imóveis vendidos neste ano.


Fonte: Jornal Estado de Minas - Caderno ECONOMIA

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