O índice de inadimplência de aluguel em Minas Gerais ficou em 2,77% em julho. O resultado, segundo menor deste ano, representa uma queda de 0,32 ponto percentual (p.p.) em comparação com junho, quando estava em 3,09%. Na comparação com o mesmo mês de 2025 (4,45%), a redução foi ainda maior, de 1,68 p.p. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IL) da Superlógica, plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para os mercados condominial e imobiliário. Para o vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Sindimóveis-MG), Leandro Chaves, dois fatores ajudam a explicar a queda do IIL no Estado. O primeiro é a redução da taxa de desemprego, que recuou 1,2 ponto percentual no segundo trimestre, de 5% para 3,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficando abaixo da taxa nacional, de 54%. Conforme o dirigente, mais pessoas empregadas significam mais inquilinos com condições de manter o pagamento do aluguel em dia. ?O segundo motivo é o reajuste. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) acumula apenas 2,76% em 12 meses e vem registrando Variações negativas nos últimos meses. Isso significa que o aluguel praticamente não subiu no último ano, enquanto a renda subiu; assim, O peso do aluguel no orçamento da família diminuiu? explica. Chaves também avalia que a profissionalização do setor, marcada por análises de crédito mais criteriosas na entrada, maior uso de seguro-fiança e título de capitalização, além da adoção de cobranças digitais, com Pixe boleto automático, reduz os atrasos por esquecimento.
Alívio nas despesas - Complementando as análises de Leandro Chaves, a vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais e do Sindicato de Habitação (CMI/ Secovi-MG), Gabriela Lara, acrescenta um componente sazonal à análise do cenário. ?Estamos em um mês do ano em que as obrigações financeiras deram uma trégua na comparação com o acúmulo de pagamentos do início do ano. Isso pode ajudar na diminuição dos atrasos nos pagamentos de aluguel?, pontua. Assim como Chaves, ela também atribuia queda da inadimplência locatícia ao aumento do emprego formal e às estruturas de cobrança adotadas pelas empresas imobiliárias.
Gerais permaneceu abaixo tanto da média nacional, de 3,05%, quanto da região Sudeste, de 2,78%. Esse desempenho, segundo o economista e professor do Centro Universitário UniBH, Fernando Sette, sugere uma situação relativamente favorável dos inquilinos mineiros, mas não significa necessariamente uma redução do endividamento. ?A inadimplência locatícia mede especificamente a capacidade de pagamento do aluguel. É perfeitamente possível uma família priorizar moradia e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades com cartão de crédito, empréstimos ou outras obrigações?, esclarece. Segundo Sette, o resultado também representa um sinal positivo para o próprio mercado imobiliário. Uma inadimplência menor reduz o risco percebido pelo proprietário, melhora o fluxo de caixa das imobiliárias e tende a tornar a locação mais previsível. Esse cenário, conforme o economista, pode favorecer a oferta de imóveis e reduzir a necessidade de incorporar um prêmio de risco elevado aos contratos. ?O resultado mineiro deve ser interpretado, portanto, como uma combinação de capacidade de pagamento relativamente melhor e funcionamento mais saudável do mercado locatício, e não simplesmente como ausência de dificuldades financeiras?, reforça. %
Fonte - Diário do Comércio - Mídia - Jonal Página - 12